sábado, 10 de março de 2012

(pag 77)

Ja nos primeiros dias como gerente, tracei um plano de promoção e marketing. Precisava fazer alguma coisa urgentemente para aumentar o lucro do restaurante e com isso ganhar mais confiança de Elizabeth na minha nova função.

Porem conhecendo a resistência dos donos, esse plano para ser aprovado tinha que ter um investimento baixo e uma meta de retorno de curto/médio prazo.

Montei o projeto e fiz uns powerpoints e modelos de panfletos com um designer gráfico profissional. 

Tudo para impressionar.

Seria necessário um pequeno investimento. Apenas para a impressão de panfletos para divulgação e alguns displays de promoção para colocar nas mesas.

Apresentei o projeto e para minha surpresa ele foi aprovado.

Na semana seguinte la estava eu apreensivo pelos resultados.

Porem como no Brasil, na Africa do Sul os pequenos negócios, principalmente aqueles gerenciados por membros da família, se baseiam muito mais nas amizades do que propriamente no foco comercial.

Os panfletos e cartazes que eu havia preparado juntamente com um designer gráfico foram totalmente modificados por Elizabeth e seu filho, enviados para um amigo dono de uma gráfica, e impressos TOTALMENTE errados.

Ate ai, se o processo tivesse sido comercial, a solução era simples: apenas devolver para a gráfica, corrigir os erros e imprimir tudo novamente sem nenhum custo extra. 

Porem, como tinha sido feito (de graça) por um amigo, só nos restava calar a boca e aceitar.

Alem disso meus outros planos barravam ou na questão financeira ou na questão do idioma. 

Afinal era eu quem tinha que falar ao telefone com vendedores ou fornecedores, e esses por vezes usavam termos específicos e/ou comerciais e por mais que o meu nível de inglês já estivesse melhorando, ainda assim barrava nesses pontos.

Por um bom tempo amadureci a ideia de fazer uma proposta de investimento no restaurante e assim assumir as rédeas e consequentemente as responsabilidades do negócio.




Acreditava no potencial daquele negocio e ao mesmo tempo me via de mãos e pés atados, sempre barrado na ignorância do povo sul-africano. E quando eu falo em ignorância, me refiro tao somente a falta de estudo e audácia na gestão de negócios.

O meu plano era comprar uma porcentagem do faturamento do restaurante por um valor relativamente baixo, porem apenas por um tempo determinado. Cinco meses para ser mais exato.

Eu seria como um investidor por tempo determinado.

Creio que essa era uma boa proposta para ambos os lados, afinal o restaurante iria lucrar permanentemente com a mudança na faixada (que era o meu principal ponto de investimento e reforma) e eu possivelmente lucrar com os bons rendimentos caso todo meu plano surtisse efeito positivo.

Esse furacão de ideias e decisões a tomar foi provavelmente um dos maiores períodos de estresse que eu passei na Africa do Sul.

sexta-feira, 9 de março de 2012

(pag 76)

Porem, mais uma vez a dor foi breve, afinal mais uma vez não era eu o culpado. 

Estava livre de qualquer tipo de ônus ou culpa.

Somente havia entregado para uma mulher os meus sentimentos, exposto isto na frente de todos os meus amigos e mais uma vez ter tido o coração dilacerado.

Nao poderia ser condenado por ter gostado de alguém e ter sido passado para trás.

E mais uma noite la estava eu, apesar do coração em pedaços, com a consciência leve e tranquila no travesseiro.

E isso para mim não tinha preço. 

Estava muito feliz com a minha escolha e, apesar dos pesares, o mundo sempre me mostrando que eu estava no caminho certo. 

No caminho da evolução como pessoa.

Com o final da Copa, era hora de re-organizar tudo de novo...mais uma vez.

Novamente estávamos em seis na Casa. 

Dessa vez, eu, Mauricio, Douglas, Samuel, Mineiro e Thiago. 

Os últimos dois, amigos que ja estavam em Cape Town e que aproveitaram a saída dos outros moradores para tomarem suas vagas.

Mais uma vez o "casamento" foi perfeito. 

A nossa amizade prevalecia sobre todas as diferenças. 

Eramos mais uma vez seis irmãos.



Cap. XVII
A Visita Ilustre

Setembro era o mês.
A euforia da Copa ja tinha passado e a essa altura todos os temores da crise financeira "pós-copa" também.

Ainda no final do mês de agosto, eis que Elizabeth e seu filho, me convidam para ser gerente do restaurante. 



O convite se fez mais pela confiança de que adquiri durante os meses trabalhados do que realmente pelo meu conhecimento na área, confesso.

Ate mesmo porque eu nunca havia trabalhado no ramo de restaurantes antes, muito menos como gerente.

Mesmo assim aceito a oferta, é claro. Afinal, além do salario ser um pouco maior, teria também a chance de conduzir o restaurante da forma que eu achava a mais correta. 

Isso tudo ainda sem contar o aumento da experiencia no ramo, que para mim por si só ja era bem gratificante.

Com isso mudo o foco.

Enquanto antes eu apenas fazia o meu melhor, agora eu tinha também certa influencia no curso e nos números finais do restaurante. 

Números esses não tão animadores ate então.

terça-feira, 6 de março de 2012

(pag 75)

Realmente estava triste em vê-la partir afinal eu estava, a cada dia mais, me envolvendo com aquela mulher maravilhosa.

Ficamos juntos algumas vezes durante a noite. 
Porem também dava espaços para ela curtir com os outros amigos que foram ao Buena Vista para se despedir dela.

No final fomos todos para Casa e, eu e Melissa tivemos nossa ultima noite juntos.

A hora da despedida foi uma das mais difíceis para mim, afinal era como se eu estivesse perdendo uma grande oportunidade de ficar com uma mulher sensacional.

Assumi que estava curtindo nossa relação. Nao precisava esconder de ninguém.

Na despedida, chorei na frente de todos. 

Creio que talvez nenhum deles esperavam isso vindo de mim. 

Enquanto uns ficavam sem saber o que fazer para remediar a minha dor, outros simplesmente fingiam não estar vendo afinal não sabiam como agir. 

Eh engraçado ver a reação das pessoas diante de situações na qual elas não sabem como lidar.

Dias se passaram ate a verdade subir a tona. 
E por mais que demore, ela sempre sobe.

Certa noite, conversando com todos em Casa, eles deixam escapar que Melissa tinha ficado com outro rapaz na sua noite de despedida.

Era um cara que ela havia ficado tempos atras, mas que ainda jurava amores por ela.

Na hora da noticia, para não parecer (mais uma vez) um grande idiota, digo que ja sabia de tudo.

Porem, eh claro que era somente uma defesa. 

Por dentro eu me corroía de tristeza. Foi como se mais uma vez eu perdesse o chão.




Obviamente eu não sabia de nada, afinal ficamos boa parte da noite juntos na balada e depois em casa, mais intimamente. 

Com certeza se eu soubesse do ocorrido eu não teria sequer desprendido uma lagrima na despedida.

Afinal, chorar por alguém que se dividia entre mim e outro cara na mesma noite?

Mas porque isso novamente tinha que me acontecer? 
Por que mais uma vez comigo?

Perguntas vinham a minha mente. 
Todas elas sem respostas.

Isso antes mesmo de me lembrar que no dia do embarque de Melissa de volta ao Brasil, eu tinha escrito um e-mail declarando totalmente meu amor e admiração a ela.

Me senti mais uma vez um completo idiota.

domingo, 4 de março de 2012

(pag 74)

Cap. XVI
O Pós-Copa


O investimento da Africa do Sul na Copa do Mundo não teve precedentes no país. 

Foram gastos milhões e mais milhões de dólares em infra-estrutura e estádios, porem, sempre conversando com moradores e mesmo com turistas a duvida era sempre a mesma: Mas e o depois? E quando a Copa acabar, qual vai ser o legado?

Como o futebol era considerado esporte de negros na Africa, e consequentemente da população de baixa renda, obviamente os grandes e luxuosos estádios passariam a se tornar enormes elefantes brancos. 

Ok, ate ai seria "somente" disperdicio do dinheiro publico. Comum e rotineiro em países de terceiro mundo. 

Mas e o comercio local que havia se preparado e estava esperando por milhões de pessoas que não vieram?

Esse era o principal temor dos sul-africanos.



A Copa na Africa visava atrair um numero muito maior de turistas dos que realmente foram ao país.

A cidade de Cape Town, por exemplo, esperava atrair mais de quinhentos mil turistas. 

Segundo os jornais locais, o numero não passou de cento e cinquenta mil.

Eu mesmo era um dos preocupados, afinal trabalhava no setor de serviços, diretamente ligado aos resultados da Copa. 

E como disse anteriormente, apenas uma unica noite refletiu positivamente a expectativa que estávamos sobre a Copa.

Questões econômicas a parte, também era hora de grande parte de nossos amigos voltarem ao Brasil.

Os primeiros foram o casal Renato e Cinthia, que ja estavam mesmo de passagem.

Depois foi Mauricio, Lucia, Ricardo, Camila e Melissa.

Como em todas as despedidas, sempre fazíamos uma grande festa. 

Mas uma em questão teve motivos para ser lembrada. A despedida de Melissa.

Marcamos todos no Buena Vista, a mesma balada latina onde sempre íamos.

Depois de sair do serviço, fui direto para la.

Quando cheguei todos ja estavam um tanto quanto embriagados.

Cumprimento Melissa com um beijo na boca, afinal ja estávamos ficando há algum tempo. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

(pag 73)

Durante o jogo era possível ate ouvir os gritos dos jogadores num lance de falta. 

Ouvir o som do chute na bola. 

Ver bem de pertinho jogadores como Cristiano Ronaldo, David Villa, Casillas, Fabregas, entre muitos outros que ate então eu só tinha visto jogar pela TV ou nos jogos de videogame.

O placar do jogo foi 1x0 para os espanhóis. Mas bem que poderia ter sido um 3x2, um 4x3, afinal diferente do que mostrou o placar, foi um jogo eletrizante com inúmeras chances para os dois lados. 

Tudo para nosso deleite.



Ainda durante a Copa recebi em casa um grande amigo vindo Brasil, Renato, que veio acompanhado de sua namorada Cinthia.

Renato eh um daqueles amigos que por mais que você fique dez, vinte ou trinta anos longe, quando você reencontra parece que fazia apenas alguns poucos dias que não o via. 

Sempre muito comunicativo, nas primeiras horas já cativou todos em Casa. 

Com Cinthia foi o mesmo.

A essa altura eramos no total de dez grandes amigos em Casa. 

Isso sem contar os "amigos extras" que sempre vinham para nossa casa nos dias de jogos e depois de bêbados acabavam dormindo por la mesmo.

Apesar do numero recorde de moradores, era um prazer para todos ver a Casa em festa. 

Todos curtindo a Copa do Mundo. 

Por vezes saiamos para assistir os jogos na FanFest, outras vezes somente ficávamos em casa bebendo e confraternizando.

Tudo era motivo para uma enorme festa.

A medida que a Copa foi passando foi tomando características diferentes. 

Enquanto na primeira fase o povo sul-africano se unia em frente a TV para torcer pelos Bafanas (que nem sequer passaram da primeira fase), na segunda fase a torcida passou para o Brasil, afinal o Brasil era a segunda opção deles. 

Com o passar das fases e a também queda da seleção canarinho, o espetáculo perdeu um pouco do brilho. 

Passou  a ser mais um grande evento e não mais uma comoção nacional. Creio que os sempre animados sul-africanos mereciam uma festa maior vinda de suas seleções escolhidas.

Mas enfim, assim eh o futebol e talvez seja por isso que ele atrai tantas pessoas ao redor do mundo.

Seja pelo amor ou pela dor...

quinta-feira, 1 de março de 2012

(pag 72)

Enquanto isso todos em casa respiravam a Copa do mundo, afinal o estadio ficava muito próximo de nossa casa, era possível ate sentir o calor da competição.

Eram turistas vindos de toda parte do mundo. 

Todos se confraternizando, independente das nações.

Enquanto isso nós tínhamos tentado comprar ingressos com preços promocionais, aqueles que eram destinados para os moradores locais, porem como também acontece no Brasil, eles eram quase impossíveis de serem vistos. 

Talvez tenham ficado nas mãos dos que tinham mais condições de pagar o preço normal do que dos menos favorecidos.

Com muito custo conseguimos comprar alguns ao valor de duzentos dólares. 

Ok, duzentos dólares talvez não seja muito quando se olha o mercado hoje, com o dólar valendo menos, ou mesmo vendo de fora da Africa do Sul. 

Porem la, duzentos dólares eram mais de mil e quinhentos Rands, ou referencialmente, um mês do nosso aluguel.

O que deu pra eu comprar foi apenas um único ingresso. 

Comprei para a segunda fase, la mesmo em Cape Town. 

O jogo seria entre a seleção que ficasse na segunda posição no grupo do Brasil contra a primeira no grupo da Espanha.

Eu teria que torcer um pouquinho contra a seleção brasileira, afinal se o Brasil ficasse atras de Portugal na fase de grupos por exemplo, eu tinha a chance de assistir Brasil vs Espanha.

A minha torcida não deu muito certo e acabei assistindo Espanha vs Portugal. 



No final creio que ate tenha sido melhor assim, afinal eu não ficaria feliz em ver o Brasil caindo diante dos meus olhos perante a Espanha, que logo depois viria a levar o titulo dessa Copa.

Ricardo comprou alguns ingressos para os jogos do Brasil, Melissa também, mas entre todos os moradores de Casa o campeão foi Mauricio. 

Este sim aproveitou o melhor da Copa do Mundo. 

Viu simplesmente todos os jogos do Brasil. 

Chegou ate a viajar para Jo'burg e Port Elizabeth para ver a seleção canarinho jogar.

Muitos devem estar pensando: nossa, que desperdício de dinheiro, afinal o Brasil perdeu. 

Mas uma coisa eu posso afirmar: a emoção de assistir um jogo de Copa do Mundo eh indescritível. 

Eh um momento único, um sentimento impossível de traduzir em palavras. 

Mesmo não gostando de futebol, mesmo não sendo a seleção da sua pátria, mesmo ficando num lugar longe do gramado, mesmo se o seu pais perder...a emoção eh unica.

Para tornar essa emoção ainda maior, no jogo em que comprei o ingresso, Espanha vs Portugal, nossos lugares eram próximos, muito próximos ao gramado. 



Quase no circulo central. 

Eu e Mauricio vibramos quando chegamos a nossos lugares.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

(pag 71)

Obviamente esse preconceito eh devido aos anos de repressão e submissão dos negros perante os brancos.

Hoje, com o pais na mão de governantes negros, as leis favorecem muito mais aos negros do que aos brancos. 

Fato esse que se por um lado ajuda a diminuir a distancia social entre as classes, por outro acirra ainda mais a guerra racial. 

Afinal nas Leis sul-africanas um emprego, por ordem judicial, deve ser dado primeiramente aos negros, em seguida aos miscigenados e por ultimo aos brancos. E nenhum pai de família, seja ele branco ou negro, quer perder uma vaga de trabalho não por competência, mas sim por uma lei que favorece uma cor de pele.

Mas como eh mês de Copa do Mundo, todos deixam de lado as mazelas raciais e juntos torcem a favor dos Bafana Bafana, como eh conhecida a seleção sul-africana. 

Ate mesmo os brancos, não acostumados com o futebol, sentam-se a frente da TV para acompanhar a seleção africana comandada pelo brasileiro Carlos Alberto Parreira.

O segundo jogo da Copa, Uruguay e Franca, acontece em Cape Town.

Eu trabalhava no restaurante naquela noite. 

O estadio ficava cerca de 20 minutos a pé de distancia de casa. 




A nossa apreensão era grande para o pós-jogo, afinal grande parte do publico iria sair do estadio procurando algo para comer. E nada melhor que uma bela pizza num restaurante italiano. 

Cerca de meia hora apos o termino da partida, o restaurante lota. 
Nunca tinha visto tanta gente naquele salão. 

Todas as mesas estavam lotadas e uma pequena fila esperando por mesas se formava la fora.

Já passa da meia noite e as pessoas não paravam de chegar.

Eis que eu vejo do lado de fora, Junior. Aquele Junior, jogador de futebol, lateral do Flamengo e da seleção brasileira, também conhecido como Capacete.

Chego ate ele já falando em português. 

Ele fica animadíssimo e me pergunta se eh possível conseguir uma mesa para ele, Cléber Machado (narrador) e Renato Marsiglia (comentarista de arbitragem). 

Obviamente eu digo que sim. 

Chamo Elizabeth de canto e explico a situação. 

O restaurante estava completamente lotado.

Conversando com clientes conseguimos mudar algumas pessoas para dar lugar aos nossos convidados mais ilustres da noite.

Ao perceber nossos esforços, eles não poupam elogios. 

Os três são uma simpatia.

Sem ao menos eu pedir, Junior saca de sua bolsa uma foto, autografa e me da de presente. 

Para Elizabeth ele escreve numa bandeira do Brasil uma dedicatória e conversa o tempo todo com ela em Italiano (aprendido nos anos jogando na Itália).

A velha senhora fica encantada com a simpatia do ídolo brasileiro.

Foi a noite mais cheia e também a unica, durante a Copa do Mundo.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

(pag 70)

Eu respondi que por mim não haveria o menor problema, afinal apesar de termos tido um affair no passado, não significaria que isso mudasse alguma coisa na nossa convivência. 

Porem ao mesmo tempo, todos achavam que Ricardo (e mais uma vez ele), estava de olho na baixinha da bela bunda, e isso sim viria a ser um empecilho, afinal ninguém ficaria a vontade com uma garota morando na casa onde ja tinha saído com dois dos moradores...ainda mais depois do trauma passado ha alguns meses atras.

Depois de uma breve votação, todos decidiram que apesar dos possíveis problemas que pudessem vir a acontecer, Melissa era uma pessoa tao especial que deveríamos ao menos tentar.

Finalmente ela veio morar conosco.

Passados alguns (poucos) dias, eu não resisti e cai de amores por ela. 
Passamos a ficar juntos. Primeiro escondido de todos, mas logo assumimos nossa relação.

Esse era um momento de muitas mudanças em casa.

Léo estava de saída voltando para o Brasil, Melissa chegando para morar conosco, tudo muito confuso principalmente para um grupo de pessoas que não paravam mais de beber nas festas de despedidas (e/ou de boas-vindas) dos que voltavam para os seus países de origem.

Para o lugar de Léo, viria Douglas, carioca que havíamos conhecido pela internet.
Como sempre mais uma loteria pela frente.

Na mesma época, Luciana, outra amiga, também estava na mesma situação que Melissa. 
Contrato de aluguel vencendo e sem teto para morar. Também passou a morar conosco.

Nessa época eramos em oito pessoas em casa, onde tínhamos planejado no máximo seis.



Cap. XV
A Copa do Mundo


O mês de junho chega e com ele a festa mais esperada por todos nos. 

A Copa do Mundo de Futebol da FIFA. 
O pais estava respirando a Copa. 



Por mais que a população branca da Africa do Sul não simpatizasse muito com o futebol, e sim com o Rugby, aquela altura o nacionalismo falava mais alto. 

Eram brancos e negros, esses últimos sim fanáticos por futebol, unidos, mesmo com suas ainda marcantes diferenças sociais.

Mesmo o apartheid tendo terminado legalmente ha quase 20 anos atras, na pratica e no dia-a-dia infelizmente ele ainda eh visto nas ruas da Africa do Sul.

Hoje um racismo velado. Proibido por lei. Mas ainda sim vivo na cabeça de algumas das pessoas.

E esse racismo também vive mesmo na cabeça dos negros, esses tao racistas quanto os brancos. 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

(pag 69)

Sem saber muito o que responder, acabo aceitando.

Fomos para a sua casa e passamos a noite juntos.

Não posso dizer que não foi bom, muito pelo contrario, foram ótimos momentos de entrega e companheirismo. 

No fundo, bem la no fundo, eu tinha a certeza de que estava fazendo a coisa errada. Que não era aquele o melhor caminho a seguirmos.

Mas um dos motivos que me tendenciou a fraquejar e cair em tentação foi o de saber que dias depois Christine embarcaria para os EUA onde ficaria durante os próximos três meses.

Nessa viagem alem de outras coisas, ela passaria uma grande parte do tempo na casa de um ex (ou atual) namorado. Isso me levava a crer que possivelmente ela reataria com ele, e quando Chris voltasse seriamos novamente (e tao somente) grandes amigos, e isso era o que eu mais queria.



Nesse meio período em que Chris estava viajando descubro que estou apaixonado.
Apaixonado pela sua amiga, Alessandra.

Dias e mais dias se passavam e eu não conseguia tirar aquele lindo sorriso do meu pensamento e o belo sotaque dos meus ouvidos.

Pensei em convida-la para sair, para jantar, para fazer qualquer coisa. Só para te-la por perto. 
Porem, ao mesmo tempo não achava isso justo com Christine.

Tinha que antes de mais nada conversar com ela. Ser honesto.

Me distanciei e esperei pelo fim dos três meses de viagem.

Enquanto isso conheci Melissa. 

Brasileira, do tipo bem brasileira. 
Baixinha e com uma bunda maravilhosa.

Acabamos nos aproximando e consequentemente nos envolvendo. 

Certa noite, todos da Casa fomos para o Dubliner, e como ela era amiga de Camila, foi junto conosco. 

No meio da noite, quando nos ja estávamos mais bêbados e consequentemente sem muita noção de certo e errado, nos beijamos. Uma unica vez.

Mas a cada dia que passava, Melissa se mostrava não apenas uma bunda, ela era também uma pessoa extraordinária. 

Uma mulher do tipo que todo homem deseja. Companheira, carinhosa, meiga, inteligente...

Era do tipo que te acompanha desde bebendo uma cerveja e assistindo jogo de futebol, ate nos papos mais cabeça e chatos. Tudo sem reclamar. Sempre pertinho.

Certo dia Camila me chama e diz que o contrato da casa onde Melissa estava morando esta prestes a vencer, e ela não tinha onde morar. 

A ideia de Camila, sua melhor amiga, era de Melissa vir morar conosco.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

(pag 68)

O Buena Vista eh uma balada de musica latina. Salsa, para ser mais exato.

Fui com amigos e chegando la encontro Christine dançando no meio da multidão que se espremia na pista. 

E realmente era muita gente. Todos se espremiam e se esbarravam. Mesmo assim Christine ao me ver, me convida para dançar.

Eu, obviamente recuso, afinal Salsa nunca foi o meu forte. 
Alias dança nunca foi o meu forte.

Depois de uma breve insistência eu acabo cedendo ao convite para não ficar uma situação chata.

Dançamos por alguns minutos ate Christine me chamar a atenção de que o que eu estava dançando não era Salsa, e sim forro.

Bom, isso era o melhor que eu sabia fazer. 

Pedi desculpas mas disse que não poderia mudar o passo para não botar em risco seus belos pés.

Se o ritmo dançado era o forro, quem dançou ja sabe como eh. 

Os corpos foram cada vez chegando mais próximos, os suores dos dois corpos ja eram um só, a respiração ja estava ofegante...e dali para o beijo foi questão de segundos.

Tudo o que eu havia pregado de separar a vida pessoal do trabalho tinha caído por terra em questão de algumas coxas se roussando.




Apesar dos seus quarenta e poucos anos, Chris era uma mulher bonita e sensual. Seu corpo era talhado pela dança aliada a horas de academia. Porem mesmo depois que nos tornamos mais próximos a minha relação com ela foi muito mais de amizade, carinho, respeito e admiração, do que de fato uma relação de homem e mulher. 

Sempre tivemos uma ligação muito forte. 

Passávamos horas conversando e em muitos aspectos tínhamos muitas coisas em comum. Desde fatos por qual tínhamos passado ou ate mesmo na forma de enxergar a vida. 

Era muito estranho e ao mesmo tempo encantador. 
A nossa amizade foi crescendo e tomando força diariamente.

Enquanto isso eu tentava conter a ideia de relacionamento que vinha exclusivamente do lado dela, afinal não a via como "minha mulher", e sim como uma grande amiga e companheira. 

Nao a queria tao próxima como sendo minha namorada, porem não tao longe para que perdêssemos a nossa linda amizade.

Certo dia ela me convida para a festa do seu aniversario.

Chegando la, dentre outras pessoas, ela me apresenta sua amiga Alessandra.

Alessandra era espanhola, morava em Cape Town ha alguns anos e falava português, que alem de fluente, vinha acompanhado de um sotaque dos mais belos que eu ja ouvi. 

Ate mesmo as palavras ditas erradamente soavam bem aos ouvidos.

Um dos planos que eu tinha apos sair da Africa do Sul, seria ir para a Espanha ou Inglaterra. Alessandra, alem de espanhola, tinha morado por vários anos em Londres. Ou seja, alem de uma nova amizade, seria uma ótima pessoa para colher detalhes, informações e dicas sobre os dois países.

Quando me vi estava ha horas conversando com ela, que alem de ser uma das mulheres mais lindas que conheci, era de uma simpatia encantadora. Alex eh do tipo de pessoa que quando você começa a conversar, não da mais vontade de parar, de sair de perto.

Passei praticamente todo o aniversario de Christine conversando com a espanholinha.

Na hora de ir embora, Chris me surpreende e diz que eu devo ir com ela. 

Para a casa dela.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

(pag 67)

Cerca de três dias depois de ficarmos, Milena combinou uma viagem de carro para Namíbia juntamente com Mauricio, Ricardo, Julia e outra amiga. 

Eles passariam uma semana viajando por entre cidades, desertos e parques naturais.

Quando voltaram, todos eram puro entusiasmo.

Assim que Mauricio e Ricardo chegam em casa eu pergunto como tinha sido a viagem.

A primeira coisa que ele me responde eh: estou apaixonado pela Milena.

Miguel, que estava sentado junto a mesa comigo, quase cai da cadeira.

Eu, tentando manter o controle respiro fundo e pergunto calmamente: por que, vocês ficaram?

Ele responde: não, mas eu estou apaixonado por ela.

Logo em seguida eles saem todos para beber e comemorar a chegada. Ficamos somente eu e Miguel na Casa.

Viro para Miguel e digo: acho que eh melhor ninguém ficar sabendo que eu fiquei com a Milena, o que você acha?!

Miguel não acredita no que eu havia acabado de dizer e me enfrenta para que eu abrisse o jogo para Mauricio e lutasse por ela.

Depois de alguns minutos de reflexão concluo que eu não tenho esse direito. 

Havia ficado apenas duas ou três vezes com Milena, e apesar de ter sido bom, não tinha a mesma certeza dos meus sentimento por ela que Mauricio as tinha. Com isso era melhor me calar, perder uma garota bacana, do que contar tudo e estragar os sentimentos e planos de um grande amigo.

Optei pela amizade de um amigo em detrimento a uma mulher.

Daquele dia ate o dia do embarque de Milena de volta para o Brasil, eu ouvi Mauricio falar sobre seus sentimentos por ela, dei conselhos sinceros a ele e sempre me mantive distante dela.

Situação que não desejo a ninguém afinal por mais que eu tentasse me manter distante, o circulo de amizade era o mesmo, com isso quase que diariamente Milena estava em nossa Casa e eu me deparava com o casal entre beijos, carinhos e abraços.

Por mais que estava feliz por ver um amigo bem, estava destruído por dentro.

Mais uma vez o tempo teria que ser o meu melhor amigo.

Certo dia, no restaurante onde trabalhava, conheço por acaso uma cliente. 

Seu nome era Christine. Uma francesa com seus mais de quarenta anos que morava em Cape Town já ha algum tempo. 

Conversamos rapidamente sobre um CD de MPB que estava sobre a mesa e ela se mostrou apaixonada pelo Brasil, conhecia tudo!

Trocamos telefones.



Sempre separei muito a minha vida pessoal do trabalho. Com isso, apesar da vontade, preferi não ligar para Christine e evitarmos possíveis constrangimentos. 

Porem Cape Town não eh grande o suficiente para nunca mais se ver alguém que você conhece. Volta e meia nos encontrávamos em diferentes ocasiões.

Uma delas aconteceu num lugar chamado Buena Vista Social Club.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

(pag 66)

Nos primeiros dias apos o ocorrido o clima na Casa ficou um tanto quanto tenso.

Se ate ontem todos eramos unidos, sentávamos na sala e ficávamos por horas e horas conversando, hoje não mais. 

O que se via era no máximo duplas conversando, ate combinando alguma coisa junto, mas nunca todos ao mesmo tempo. 

Por um período o nosso lema: "se eu for, você vai também" perdeu o sentido.

Porem, com o tempo a ferida cicatrizou e a relação de amizade prevaleu. Dia apos dia tudo ia voltando ao lugar certo.

Do outro lado da historia ficou Bianca. 

Talvez apos ter se dado conta do que fez, caiu em profundo desespero. 

Mas o desespero não era por me perder, afinal estávamos juntos a poucos dias. O desespero foi por ter percebido o que tinha acabado de fazer. Afinal traição com melhores amigos envolvidos nunca deixa uma boa imagem para ninguém, principalmente para ela. 

Por mais fama de pegador que tenham os envolvidos, o que prevalece são sempre as mas impressões, as (errôneas) impressões machistas.

Durante dias Bianca me procurou tentando uma possível reconciliação.

Para mim, por mais que a tivesse perdoado, era impossível olhar para aquela garota e não sentir a dor da traição. Seria impossível ter alguma relação com uma mulher pela qual eu não teria a menor confiança.

Preferi me afastar para diminuírem as dores. Tanto minha quanto dela.

Da mesma forma que o destino as vezes nos prega peças, as vezes ele trabalha a nosso favor. Dias depois Bianca embarca de volta para o Brasil.

Enquanto isso eu seguia o meu caminho, cuidando cada vez mais de mim e do meu coração. 

Voltei a correr e a regular melhor a minha alimentação.
Tudo para curar a ferida.

Certo dia, Lucia, uma de nossas amigas, diz que sua irma Julia esta vindo do Brasil com uma amiga para passar uns dias de ferias.

Milena e Julia chegam a Cape Town realmente no ritmo de ferias, ou seja, querendo festas, passeios e bebedeira. 

Obviamente todos nos demos muito bem, afinal nosso ritmo na Africa era exatamente aquele...mesmo não estando de ferias.

Acabei me envolvendo com Milena. 
Ficamos algumas vezes sem que ninguém visse. Como adolescentes, ficávamos escondido de todos.



O único que soube foi Miguel, que depois de tudo o que havia acontecido dias atras tornou-se meu melhor amigo e confidente.

Pra falar a verdade ate hoje não sei porque eu e Milena fizemos isso escondido, afinal nenhum dos dois tinha motivos para esconder de ninguém. Eramos solteiros e desimpedidos.

Porem o tempo mostrou que estávamos certos em esconder.